terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quem meu filho beija, minha boca adoça


Existem várias formas de amar, todas especiais, dizem que o “amor de mãe” supera todas, mas eu sou mãe, mãe de oito, amar como mãe é fácil, é instintivo, faz parte intrínseca da função, muitas vezes sofre a influência das lutas afetivas a que obrigatoriamente é vinculado, outras vezes, eu acho que na maioria delas, se aproveita do fato de ser soberano e faz pouco ou não faz tudo, se basta na renúncia e na garantia de importância.

Mas existe um tipo de amor que eu tive e tenho tido no decorrer dos anos a benção de testemunhar, o amor da minha irmã Neila e seu amado Edu pelos meus filhos.

Poderia ser apenas amor de tios, sem grandes expectativas, normalmente mais intenso quando a criança é pequena e o casal ainda não tem seus próprios filhos, mas esse não é assim...

Alguns pensam também, quase todos que não vivem essa relação, que a vida deles é mais tranqüila, que sobra para ajudar o restante da família, mas tenho certeza que não é isso, quem pensa assim não parou para analisar quando tempo perdem se preocupando em ajudar as pessoas de fora da sua casa...

O amor da minha irmã pelos meus filhos é de uma forma muito especial, é aquele de que não se duvida um só instante, chega a ser cômodo de minha parte, talvez pela minha própria certeza de ser amada...

Quando meus filhos eram pequenos eu fazia a mãe cheia de filhos e ela a tia dedicada, sempre ficava por conta dela, o teatro, o parquinho, o Parque da Mônica, o Mac Donald’s, a roupa nova da festa, o melhor brinquedo de presente, mas até aí a gente podia achar que fazia parte da sua vocação cuidar de crianças, enfim, quem recebe amor sempre acha tudo normal pelo próprio orgulho de ser amado.

Mas eles foram crescendo e a Tia Neila e o Tio Edu sempre foram garantia de afeto, presença constante nos bons e nos maus momentos, uma presença tão marcante que várias vezes eu me senti como que envolvida por uma proteção divina, como se eles fossem alados, muitas vezes chegavam naqueles momentos difíceis em que a gente nem se lembra de pedir ajuda a ninguém e só se pega com Deus, chegavam do nada, parecia que tinham ouvido minhas preces ou que Deus fora mero intermediário e não o contrário.

Hoje especialmente, no dia em que a Flávia vai receber o diploma de Médica, me pego pensando na dedicação deles por ela, acho que até tenho meus méritos, pelo desprendimento de permitir que amem tanto minha própria filha, mas de novo sinto a comodidade que é ter a certeza de ter alguém pensando em tudo por você, não se trata apenas de pagar o cursinho, as despesas, a faculdade, as roupas, e sim o se ela está comendo ou se vestindo, se está estudando ou se está na balada, se tem mantimento no armário, com que roupa ela vai, esqueceu os documentos, perdeu a chave, tudo literalmente tudo, é inacreditável!

Eu quero agradecer-lhes eternamente, pois, quem meu filho beija, minha boca adoça, mas quero que nós três, eu, você minha irmã e você Edu, possamos hoje elevar nosso pensamento a Jesus e agradecer o fato Dele ter nos usado como exemplo da sua presença na Terra, pois vocês são a demonstração viva de que existe esse amor e eu a feliz contemplada...


SP, 10/11/2009, 04h30min.