quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fazer parte... Parte III – Flávia Delgado

Olha isso! Tenho uma filha na marinha, médica voluntária, atuando nas Operações Ribeirinhas no Amazonas!
Foi por isso que estive lá, para vê-la receber a farda toda emocionada, pois diz que o treinamento conscientiza a pessoa do papel das forças armadas e ela se orgulha de fazer parte de agora em diante, de um grupo de médicos voluntários que atuarão nas comunidades ribeirinhas, por pelo menos um ano.
Orgulho-me dela também e sei que faz parte da sua alma cuidar das pessoas e esse ano especialmente em que ela vai se dedicar às nossas comunidades carentes, vai lhe custar muitas saudades, dos familiares, dos amores e amigos, mas com certeza vai lhe trazer um crescimento que valerá a pena e lhe servirá muito na carreira de médica pediatra, com certeza!
Gente, fazer parte é isso, sou mãe apenas, mas de alguma forma participo de tudo isso enquanto busco o meu próprio crescimento individual e minha realização, busca essa que é eterna e faz parte de qualquer ser humano, mas que muitas vezes deixamos de lado e esquecemos que estamos na vida para nos conhecermos e sermos cada vez mais felizes...

Fazer parte... Parte II – Crime ecológico

Olha só como se comete um crime ecológico sem se dar conta ou pior, até se dando conta, mas mesmo assim cometendo, por puro enternecimento, pela sensação efêmera de tê-la em nossas mãos, nós a agredimos...
É de se fazer pensar...
Estive em Manaus pela primeira vez em minha vida, me senti deslumbrada, feliz e orgulhosa de novo por fazer parte, fazer parte como brasileira dessa imensidão de águas e verdes, deslumbrada e feliz por ter visto pessoalmente o encontro das águas entre o Rio Negro e o Rio Solimões, lugares que achei que não sairiam do livro de Geografia da minha infância...
Mas infelizmente, com toda a minha consciência de paulistana letrada, cometi mais um crime contra o meio ambiente associando-me ao rapaz que trouxe “a preguicinha”, muito menos criminoso do que eu pela sua própria condição e nessa circunstância a parte mais fraca depois dela, e eu com todo o meu conhecimento e informação, optei pela sensação de tê-la em meus braços, sem pensar no seu sofrimento por ter sido tirada do colo de sua mãezinha do meio da mata fresca para ser levada para um barco feio e torpe que ficaria parado no meio do rio debaixo de um sol escaldante para servir de “espetáculo”, que na verdade não passa de um deprimente ultraje à natureza.
Podemos usar esse fato para pensar que sempre que preferimos o nosso conforto imediato inconseqüentemente, estaremos agindo em detrimento de alguém ou de todos nós. Quando no banho demorado, no ir de carro ao invés de ir a pé ou dividir a carona, no descartar de bens reaproveitáveis, esquecemos ou fingimos que esquecemos, protelamos e criamos sofrimento para depois, para nós mesmos, ou para os nossos, a nossa Terra é redonda, e nós já sabemos que o lixo não vai sair dela, e que o bem estar é momentâneo e ilusório, pois tudo o que negligenciarmos daqui prá frente ou que já tenhamos negligenciado antes mesmo, vai ser cobrado, não por castigo ou represália, mas como conseqüência natural simplesmente.Temos que nos acostumar a pensar nas conseqüências dos nossos menores gestos.
Querida mãe natureza, nos perdoe, sabemos o que fazemos, é por isso que penso que a consciência ambiental é intrínseca à consciência cristã, pois enquanto não tivermos solidariedade, compaixão e amor suficientes não conseguiremos ser ecologicamente corretos, pois para sermos cristãos ou ecológicos precisamos aprender a pensar no outro a respeitar o modo de vida de cada um e principalmente zelar pelo seu direito e pelo seu espaço.
Deus perdoe-nos mais uma vez...

Fazer parte... Parte I – Lívia Delgado

No dia 27 de fevereiro último, minha filha Lívia estreou no musical “O Rei e Eu”, no Teatro Alpha, que está sendo levado de quinta a domingo, às 21hs.
Fui assistir, adorei tudo, a produção é perfeita, a riqueza dos detalhes, a delicadeza da música, o cenário primorosamente trabalhado, os efeitos de iluminação que nos fazem sentir o clima, a suntuosidade que dá peso às fantasias sem fazer pesar e que mostra o esmero na elaboração do figurino que dá dignidade ao ator e a sua personagem seja nobre ou plebeu, tudo irrepreensível! Você sente o toque da magnífica direção do Sr. Tagla, mas sente também o toque de cada um no exercício do seu profissionalismo, lindo!
Compreendi então aquele orgulho que a minha filha me disse sentir desde os primeiros dias de ensaio, por fazer parte dessa grande produção, que faz com que o profissional seja grato por ter escolhido sua carreira contra tudo e contra todos, sensação tão rara e gratificante...
E eu, faço parte quando, me sinto orgulhosa dela, por ter a felicidade de ter uma filha artista, cheia de garra, que com determinação e muito trabalho vai galgando seus degraus e fazendo sua história, faço parte também quando tenho o privilégio de assistir a um espetáculo desses, acessível a tão poucos e toda a vez que me sinto fazendo parte, quero agradecer a Deus por isso tudo fazer parte da minha vida ...