quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fazer parte... Parte II – Crime ecológico

Olha só como se comete um crime ecológico sem se dar conta ou pior, até se dando conta, mas mesmo assim cometendo, por puro enternecimento, pela sensação efêmera de tê-la em nossas mãos, nós a agredimos...
É de se fazer pensar...
Estive em Manaus pela primeira vez em minha vida, me senti deslumbrada, feliz e orgulhosa de novo por fazer parte, fazer parte como brasileira dessa imensidão de águas e verdes, deslumbrada e feliz por ter visto pessoalmente o encontro das águas entre o Rio Negro e o Rio Solimões, lugares que achei que não sairiam do livro de Geografia da minha infância...
Mas infelizmente, com toda a minha consciência de paulistana letrada, cometi mais um crime contra o meio ambiente associando-me ao rapaz que trouxe “a preguicinha”, muito menos criminoso do que eu pela sua própria condição e nessa circunstância a parte mais fraca depois dela, e eu com todo o meu conhecimento e informação, optei pela sensação de tê-la em meus braços, sem pensar no seu sofrimento por ter sido tirada do colo de sua mãezinha do meio da mata fresca para ser levada para um barco feio e torpe que ficaria parado no meio do rio debaixo de um sol escaldante para servir de “espetáculo”, que na verdade não passa de um deprimente ultraje à natureza.
Podemos usar esse fato para pensar que sempre que preferimos o nosso conforto imediato inconseqüentemente, estaremos agindo em detrimento de alguém ou de todos nós. Quando no banho demorado, no ir de carro ao invés de ir a pé ou dividir a carona, no descartar de bens reaproveitáveis, esquecemos ou fingimos que esquecemos, protelamos e criamos sofrimento para depois, para nós mesmos, ou para os nossos, a nossa Terra é redonda, e nós já sabemos que o lixo não vai sair dela, e que o bem estar é momentâneo e ilusório, pois tudo o que negligenciarmos daqui prá frente ou que já tenhamos negligenciado antes mesmo, vai ser cobrado, não por castigo ou represália, mas como conseqüência natural simplesmente.Temos que nos acostumar a pensar nas conseqüências dos nossos menores gestos.
Querida mãe natureza, nos perdoe, sabemos o que fazemos, é por isso que penso que a consciência ambiental é intrínseca à consciência cristã, pois enquanto não tivermos solidariedade, compaixão e amor suficientes não conseguiremos ser ecologicamente corretos, pois para sermos cristãos ou ecológicos precisamos aprender a pensar no outro a respeitar o modo de vida de cada um e principalmente zelar pelo seu direito e pelo seu espaço.
Deus perdoe-nos mais uma vez...

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