quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que me faz feliz...

Sempre que eu quero me sentir feliz busco uma maneira de ser anjo na vida de alguém. Não se trata de pretensão nem preocupação com a auto-imagem, mas sim a busca pela melhor das sensações que eu já pude ter...

Todas as vezes que consegui realizar algo que proporcionasse uma breve trégua no sofrimento de alguém experimentei a maior satisfação...

Você não calcula o bem estar que dá você pegar uma criança bem sujinha e desconfortável, dar banho, colocar roupa limpa, pentear os cabelinhos e dar um prato de comida bem quentinho...

Parece demagogia quando a gente tenta verbalizar, mas é preciso que se fale que não é preciso ser santo, nem rico, nem missionário, para viver um momento de anjo, ou melhor, intermediar os anjos.

Vivemos num mundo em que se buscam grandes emoções, aventuras e atividades de toda espécie e essas com todo o prazer que elas proporcionam, muitas vezes não saciam aquela insatisfação que nos é tão peculiar.

Talvez por receio da demagogia, ou naquela de que “cada um com os seus problemas”, deixemos de nos proporcionar verdadeiros momentos de alegria.

Descubra como é prazeroso ver alguém saborear algo gostoso, aquelas coisas tão comuns à nossa mesa e impossíveis na dele. Posso garantir que às vezes dá muito mais prazer que ir a um bom restaurante saciar uma vontade nossa.

Oferecer um banho quente, uma roupa limpa, uma sopa reconfortante, tão comuns em nossas vidas é muitas vezes um bálsamo, uma luz no fim do túnel, o surgimento da esperança perdida.

Parece óbvio? A televisão está cheia de “reality shows” que tentam nos prender em sensações que exibem a emoção de proporcionar algo de bom a alguém e ficamos de platéia sem perceber que qualquer um de nós tem inúmeras ocasiões para um gesto de amor todos os dias.

Há uns vinte anos atrás, quando eu tinha meus filhos ainda pequenos, passava na frente da minha casa uma catadora de papel com três filhinhas com mais ou menos, 7, 5 e três anos, sempre que possível eu lhes dava algo, mas uma vez ou outra, talvez por que chovesse, eu pedia para a mãe que as deixasse comigo enquanto ela andava pelo bairro, nesse interim eu lhes dava banho e comida, quando ela voltava, as meninas estavam felizes assistindo televisão.

Outro dia passou uma moça com um carrinho na minha porta e me disse:
_ A senhora não se lembra de mim né? Eu sou a Elaine, filha da catadora de papel que a senhora ajudava, era a de sete anos. Eu já tenho 26 anos, continuo nessa “profissão”, tenho cinco filhos, nunca me esqueci da senhora...

Pois é... Nem sempre veremos grandes transformações, pois será apenas um gesto, mas esse pequeno gesto se perpetuará na vida dessa pessoa como um sinal do bem, de esperança, e principalmente de amor entre os seres humanos.

Vamos lá, tente.

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